Maturidade, cansaço ou apenas flores na beira da estrada

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Tempos atrás, um amigo disse que me sentia mais madura.

Fiquei pensando se maturidade tinha a ver com uma sensação profunda de cansaço. Mas não um cansaço ruim… cansaço bom! Era o que eu sentia, embora não tenha dito isso ao amigo.

Porque não sei o que significa ser maduro, sei que o que sinto é cansaço: cansaço das mesmas situações e relações infrutíferas, cansaço de me tentar fazer entender, e não conseguir… cansaço de tudo aquilo que eu vivenciei e não me levou a canto nenhum.

Acho que chega um momento na vida de todos nós em que dizemos “basta, cansei!”

Sempre me senti como uma catadora de segundos infinitos, desses que tornam a vida mais interessante e bela. Mas, demorei a perceber que esses grãos de tempo nem sempre dependem só de mim, que alguns serão ofertados independente de minha escolha. Demorei a perceber que as pessoas também estão selecionando seus próprios grãos significativos, e que nem sempre nos selecionaremos. E tudo bem!

Cansei de empunhar a espada e ir a luta em todas os combates que vi pela frente. Parei de me culpar por tudo que não deu certo e aceitei feliz o que eu tinha conseguido até aqui, sem me punir ou sofrer em demasia pelos “e ses” que só existiam em minha cabeça. A ânsia por engolir a vida, em todos os seus estímulos, desapareceu.

Não sei se é a isso que se dá o nome de maturidade, experiência de vida… só sei que hoje, prefiro poucos e bons momentos do dia, desfrutados com toda intensidade, a tentar vivenciar todos, e não conseguir estar inteira em nenhum. E isso serve também para relacionamentos. Quantidade não é qualidade.

Os minutos que pude tornar mais belos, eu o fiz, e dos que recebi prontos, tornei-me espectadora, tentando retirar deles o significado e aprendizado que continham, ainda que fossem difíceis de serem vividos.

Aqui e ali, encontro terra fértil de poesia e beleza. Nesses terrenos fecundos de amorosidade, sou bicho manso, infinito no calor da terra fofa, pés descalços e alma nua, sorriso fácil de quem encontrou um bom esconderijo para viver guardado, perto das estrelas, no sagrado coração da vida.

Quando não encontro, calço meus velhos tênis – já acostumados ao formato dos pés -, saco da bolsa os fones de ouvido jorrando paixão antiga, e caminho por aí, devagar, descobrindo coisas novas todos os dias.

Olhos nos olhos do tempo, pergunto a ele quanto ainda terei de sua generosidade com meus passos lentos e incertos. Nunca recebi resposta, mas não deixei de notar a fúria das flores miúdas, rompendo o pesado cimento das estradas por onde andei.

 

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2 pensamentos sobre “Maturidade, cansaço ou apenas flores na beira da estrada

  1. Cris Araújo disse:

    Belíssimo texto!! Viajei nele.

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